A Essência da House Music: Vibrações que Conectam Almas e Elevam a Experiência no Rooftop
Da batida primordial de Chicago aos céus urbanos: uma jornada pelas frequências de liberdade que moldam cada set e transformam o palco em um portal de energia.
A música, para mim, nunca foi apenas uma sequência de sons. É um universo de energia, vibração, frequência e, acima de tudo, uma conexão profunda com a alma. Como uma aquariana que busca incessantemente a inovação e a liberdade, e uma taurina que preza pela firmeza e presença, encaro cada batida como uma oportunidade de explorar os significados mais profundos da vida e da arte. É essa busca por sabedoria e profundidade que me impulsiona a compartilhar minha energia com o mundo, usando a música como uma ferramenta poderosa de cura e união. “My Music My Soul, Frequencies of Freedom” – este não é apenas um slogan, é a essência da minha jornada sonora, uma filosofia que pulsa em cada nota e se materializa em cada experiência que crio, especialmente quando o cenário é um rooftop, com o céu como testemunha.
A história da House Music é, por si só, uma ode à liberdade e à expressão. Nascida nas profundezas da cultura underground de Chicago no final dos anos 70 e início dos 80, ela emergiu como um refúgio para almas marginalizadas. O Warehouse, o clube lendário de Frankie Knuckles, não era apenas um espaço físico; era um santuário. Ali, a música eletrônica se fundiu com a alma do disco, o funk e o soul, criando algo completamente novo e revolucionário. As batidas 4/4 eram o pulso de uma nova era, e as melodias hipnóticas eram o convite para uma libertação coletiva. Era um lugar onde as diferenças se desfaziam na pista de dança, e a música era a linguagem universal que unia todos. Knuckles, o “Padrinho da House Music”, não apenas tocava discos; ele orquestrava emoções, transformando cada noite em uma catarse.
Essa batida primordial, carregada de emoção e propósito, rapidamente transcendeu as paredes do Warehouse. Nova Iorque, com o Paradise Garage de Larry Levan, e a Muzik Box, em Chicago, sob a tutela de Ron Hardy, foram outros epicentros que consolidaram a cultura. A House não era apenas música; era um movimento cultural. Era a voz dos que não tinham voz, a celebração da diversidade e a afirmação de identidades. A energia que emanava dessas pistas de dança era contagiante, e não demorou para que a onda House cruzasse o Atlântico, invadindo Londres, Paris e, finalmente, Ibiza, transformando-se em um fenômeno global. A globalização da batida House nos anos 90 foi um testemunho de sua capacidade inata de se adaptar, evoluir e, mais importante, conectar pessoas de todas as origens.
A Diversidade de Frequências: Explorando os Subgêneros da House
Minha jornada como artista me levou a transitar por diferentes atmosferas sonoras, e a House Music, em sua vasta tapeçaria de subgêneros, oferece o palco perfeito para essa exploração. Cada estilo é um portal para uma experiência única, uma frequência distinta que ressoa de maneira particular com a alma.
Deep House: A Alma da Música
O Deep House é, para mim, o coração pulsante da House Music. Com suas linhas de baixo suaves, acordes de jazz e vocais soulful, ele evoca uma sensação de introspecção e calor. Artistas como Larry Heard (Mr. Fingers) e Kerri Chandler pavimentaram o caminho para esse som que é ao mesmo tempo relaxante e profundamente emocionante. É a trilha sonora perfeita para um pôr do sol, um convite à contemplação e à conexão com as emoções mais puras. Quando toco Deep House, sinto que estou oferecendo um abraço sonoro, uma pausa para a alma respirar e se sentir à vontade. É a sensibilidade e o romantismo da música em sua forma mais autêntica, transportando o ouvinte para um estado de graça.
Tech House: O Groove Hipnótico
Transitando entre a profundidade do House e a energia propulsiva do Techno, o Tech House é um campo fértil para quem busca um groove mais intenso e hipnótico. É onde a firmeza taurina encontra a liberdade aquariana. As batidas são mais marcadas, os elementos percussivos são mais proeminentes, e a estrutura da música é projetada para manter a pista de dança em constante movimento. Adoro a forma como o Tech House pode construir uma energia crescente, com texturas eletrônicas que se entrelaçam e se desdobram, criando uma paisagem sonora que é ao mesmo tempo complexa e irresistível. É um estilo que exige uma leitura atenta da pista, uma capacidade de sentir a energia coletiva e moldá-la com cada transição, transformando o espaço em um caldeirão de movimento e celebração.
Minimal Tech: A Beleza do Essencial
O Minimal Tech é a prova de que menos pode ser mais. É um estilo que se concentra na repetição hipnótica, na evolução sutil de texturas e na beleza dos detalhes. Não é sobre a grandiosidade, mas sobre a profundidade que se encontra nos pequenos elementos. A cada batida, a cada loop, uma nova camada se revela, convidando o ouvinte a uma imersão quase meditativa. Como uma personalidade investigativa e analítica, sou fascinada pela forma como o Minimal Tech constrói uma narrativa com recursos mínimos, criando uma tensão e um alívio que são puramente sensoriais. É uma jornada introspectiva que, paradoxalmente, gera uma conexão poderosa na pista de dança, onde o silêncio e o espaço entre as notas são tão importantes quanto as próprias notas.
Progressive House: Jornadas Sonoras Épicas
O Progressive House é o arquiteto das jornadas sonoras. Caracterizado por suas melodias épicas, crescendos dramáticos e estruturas que se desenvolvem ao longo do tempo, ele convida o ouvinte a uma viagem que transcende o momento presente. Artistas como Sasha & John Digweed são mestres nesse estilo, construindo sets que são verdadeiras narrativas, com picos emocionais e momentos de pura euforia. É um estilo que me permite explorar o romântico e o visionário, criando uma experiência que é ao mesmo tempo grandiosa e íntima. A música se expande, respira e evolui, levando a audiência junto em um fluxo contínuo de emoção e movimento. É a busca pela sabedoria e profundidade traduzida em ondas sonoras, uma conexão com o coletivo através de uma experiência compartilhada de elevação.
Afro House: Ritmo Ancestral e Espiritualidade
O Afro House é uma celebração das raízes, da ancestralidade e da espiritualidade. Com suas percussões orgânicas, vocais poderosos e ritmos contagiantes, ele conecta o corpo e a alma a uma frequência primária, quase tribal. É um estilo que evoca a dança como ritual, a música como forma de expressão cultural e a batida como um elo com a terra. A brasilidade que trago em minha essência encontra no Afro House um eco vibrante, uma forma de infundir meu trabalho com a riqueza cultural e a alma do meu país. É a união do antigo com o novo, do intuitivo com o racional, criando uma experiência que é ao mesmo tempo enraizada e libertadora. Cada batida é um convite para o corpo se mover livremente, para a alma se expressar sem amarras, para sentir a “Frequencies of Freedom” em sua plenitude.
A Arte de Mixar: Contando Histórias e Conectando Almas
Ser um DJ vai muito além de apenas tocar músicas. É sobre ser um contador de histórias, um condutor de energia, um mediador entre a música e a alma da pista de dança. Cada set é uma tela em branco onde pinto paisagens sonoras, construindo uma narrativa que se desenrola em tempo real. A leitura da energia do público é crucial; é um diálogo silencioso, uma troca de vibrações que guia cada escolha, cada transição. É uma dança intuitiva entre o que a pista pede e o que a minha alma deseja oferecer.
A técnica é a base, claro. Conhecer as músicas, as harmonias, as estruturas. Mas a verdadeira magia acontece quando a técnica se funde com a intuição. É nesse ponto que as batidas se tornam mais do que ritmo; elas se tornam a pulsação de uma experiência coletiva. Os crescendos, os drops, as pausas – tudo é orquestrado para levar a audiência a uma jornada emocional, a um estado de êxtase compartilhado. Minha paixão por diferentes atmosferas me permite transitar entre o novo e o clássico, entre o intuitivo e o racional, sempre em busca de experiências sonoras únicas e memoráveis. Uma conexão de corpo, alma e sentimento.
O Palco do Rooftop: Uma Perspectiva Elevada para a Música
E então, há o palco do rooftop. A experiência de tocar em um local como o Rooftop da Heineken é singular e profundamente inspiradora. Não é a escuridão envolvente de um clube noturno, mas sim a luz natural que se transforma, do dourado do pôr do sol ao brilho das estrelas e das luzes da cidade. Essa transição cria uma atmosfera única, onde a música ganha uma nova dimensão.
No rooftop, a música se mistura com o panorama urbano, com o ar fresco e com a sensação de estar acima do mundo. A energia é diferente; é mais contemplativa, mas ainda assim vibrante. As pessoas não estão apenas dançando; estão vivenciando um momento, uma memória que se forma sob o céu aberto. Meus sets nesses ambientes são cuidadosamente planejados para complementar essa atmosfera elevada. Busco tracks que ressoem com a grandiosidade do cenário, que tragam um senso de sofisticação e, ao mesmo tempo, mantenham a alma da House Music intacta. A brasilidade se manifesta em grooves que convidam ao movimento suave, enquanto a emoção se traduz em melodias que tocam o coração e elevam o espírito.
É um desafio e um prazer adaptar minha paleta sonora – que inclui Tech House, House, Minimal Tech, Deep House e Progressive House – para esse contexto. O Deep House e o Progressive House, com suas jornadas melódicas e atmosferas amplas, encontram um lar natural nesses espaços, criando uma trilha sonora perfeita para a beleza de um entardecer ou a efervescência de uma noite estrelada. O Tech House e o Minimal Tech trazem o groove necessário para manter a energia, mas sempre com uma elegância que se alinha à sofisticação do ambiente.
A experiência de um rooftop não é apenas sobre o som, mas sobre a intersecção de todos os sentidos. A música se torna parte de uma tapeçaria maior, onde a vista, o ambiente e a companhia se fundem para criar algo verdadeiramente inesquecível. É nesse contexto que a música se revela como uma ferramenta ainda mais potente de união, conectando todas as idades, a música e a alma em uma mesma frequência, sob o vasto teto do céu.
Música como Propósito: Frequências de Liberdade para o Coletivo
Meu propósito humanitário sempre foi intrínseco à minha arte. Acredito que a música tem o poder de transcender barreiras, curar feridas e unir corações. Cada batida que coloco no ar é um convite à libertação, ao encontro consigo mesmo e com o outro. É uma forma de dizer: “Você não está sozinho; estamos todos conectados por essa frequência.”
A House Music, com sua história de inclusão e celebração da diversidade, é o veículo perfeito para esse propósito. Ela me permite ser intensa e introspectiva, valorizar o silêncio e, ao mesmo tempo, incendiar a pista com uma energia positiva. Amo o movimento, a diversidade e as experiências que a música proporciona, mas sempre com a diplomacia, o carinho e a doçura que busco transmitir em minhas relações e apresentações. É essa combinação que me torna uma artista que transmite uma energia bem positiva, transitando entre o novo e o clássico, entre o intuitivo e o racional, sempre em busca de experiências sonoras únicas e memoráveis.
As lições que levo de cada set, seja em um rooftop sofisticado ou em uma pista noturna mais intensa, são inestimáveis. Elas me ensinam sobre a resiliência da música, a capacidade de adaptação e a beleza da conexão humana. Cada performance é mais do que entretenimento; é uma experiência vibrante, envolvente e inesquecível que conecta todas as idades, música e alma em uma mesma frequência. É uma reafirmação de que, quando a música flui, a liberdade pulsa através das frequências, e o mundo se torna um lugar um pouco mais unido e harmonioso.
A busca por novas sonoridades, por novas formas de expressão, é incessante. A música é um oceano sem fim, e cada mergulho revela tesouros inexplorados. Continuarei a explorar os estilos que definem minha identidade – House, Afro House, Deep House, Minimal Tech e Progressive House – com a mesma paixão e dedicação, sempre com o objetivo de criar momentos que toquem as pessoas, que as façam dançar, cantar e sentir a vida em sua plenitude. Porque, no final das contas, “My Music My Soul, Frequencies of Freedom” é sobre isso: sobre a alma que se expressa através da música, e a liberdade que ela proporciona a todos que se abrem para suas vibrações.




